Análise: sonho de Caiado de ser presidente não resiste à polarização


Ronaldo Caiado (PSD) lutou muito para viabilizar a candidatura à presidência, fez campanha, apostou na televisão e nos debates, mas não conseguiu romper a disputa concentrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Na eleição deste domingo (4/10), recebeu 2.605.122 votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos, e terminou em quinto lugar.

A campanha buscou apresentar a experiência no governo de Goiás como credencial para comandar o país. Caiado levou à disputa o discurso de combate à criminalidade e os resultados da administração estadual.

Não conseguiu furar a bolha. Flávio ocupou o espaço do bolsonarismo, enquanto Lula concentrou o voto petista. Caiado disputou a preferência de eleitores que já tinham candidatos e não reuniu força suficiente para alterar essa escolha.

A frase “Não venci, mas caí de pé”, dita  por Caiado, ao reconhecer a derrota no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, mostra o sentimento dele.

O limite da candidatura apareceu também em Goiás. No estado que governou por mais de sete anos, Caiado ficou em terceiro, com 472.041 votos, ou 12,33%. Foi superado por Flávio e Lula. A ligação com o eleitor goiano não bastou para assegurar a preferência na disputa presidencial.

Isso apesar de Daniel Vilela vencer o governo no primeiro turno, e Gracinha Caiado conquistar uma cadeira no Senado. Caiado ajudou a eleger os dois, mas não recebeu para presidente o mesmo apoio dado aos aliados.

O resultado mostra que a força do grupo em Goiás não se transferiu automaticamente para a candidatura nacional. O eleitor pôde escolher a continuidade da administração estadual e, ao mesmo tempo, optar por Flávio ou Lula para a presidência.

Caiado encerra a disputa com vitórias importantes da base em Goiás, mas distante do objetivo que o levou a deixar o governo. A campanha deu espaço às propostas na televisão e nos debates. Os votos mantiveram a decisão presidencial entre os dois polos que ele tentou romper como uma terceira via.



Fonte: https://www.maisgoias.com.br/politica/analise-sonho-de-caiado-de-ser-presidente-nao-resiste-a-polarizacao/